domingo, 30 de agosto de 2009

Qual a contribuição do Brasil?

No gráfico a seguir você pode observar os maiores emissores de gases de efeito estufa, considerando o total de emissão de gases por região/país. Segundo levantamentos mais atuais, o Brasil já ocupa a 4a posição entre os maiores emissores de gases de efeito estufa, incluindo atividades de mudança no uso do solo e agropecuária, conforme mostrado na tabela abaixo, contribuindo com cerca de 5% das emissões globais.s, incluindo mudança de uso do solo e desmatamento.

Contribuição de cada país:



De acordo com dados mais recentes, não fosse o desmatamento, o país ocuparia o 18° lugar no ranking de maiores emissores. A maior parte das emissões (75%) de CO2 do Brasil é devida ao desmatamento, principalmente da região amazônica. Ainda falando das emissões de CO2, em segundo lugar está a queima de combustíveis fósseis, cujas emissões são relativamente baixas quando comparada com outros países, pelo fato da matriz energética brasileira ser considerada relativamente limpa, uma vez que se baseia em hidrelétricas (renovável).
O gráfico a seguir mostra a contribuição do desmatamento no total de emissão de dióxido de carbono (CO2) no Brasil:


Contribuição brasileira para mudança climática (fontes de CO2)






Fonte: Comunicação Nacional do Brasil à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima – Ministério da Ciência e Tecnologia, 2004 (emissões de 1994).
Sem contar o desmatamento, as principais fontes de emissões brasileiras de CO2 são:



Além do CO2, o Brasil ainda contribui com a emissão de metano (CH4) e óxido nitroso (N2O), principalmente devido à criação de gado। Com 190 milhões de cabeças, o Brasil tem o segundo maior rebanho do mundo.

A importância das florestas e do Reflorestamento

A conservação de florestas e recuperação de áreas desmatadas é de suma importância para a mitigação da mudança climática, pois através de atividades de plantio de árvores e reflorestamento podemos diminuir a concentração do CO2 da atmosfera, uma vez que as árvores promovem o “seqüestro” desse gás através do processo da fotossíntese - processo pelo qual a árvore produz o seu próprio alimento.
Na fotossíntese, as plantas absorvem o CO2 da atmosfera e conforme crescem armazenam o carbono em suas folhas, troncos, galhos e raízes। Um metro cúbico de madeira armazena quase uma tonelada de CO2, sendo cerca de 50% da biomassa vegetal é constituída de carbono.

Estima-se que nas florestas do mundo todo estão estocadas mais de 600 bilhões de toneladas de carbono, sendo que somente a floresta amazônica armazena algo entre 50 e 80 bilhões de toneladas, armazenando cerca de 120 toneladas de carbono por hectare।
Com as queimadas, o CO2 que estava armazenado nas florestas é liberado novamente para a atmosfera, contribuindo para aumentar o efeito estufa. Por isso, uma das prioridades do Brasil para combater o aquecimento global é conter o desmatamento através da fiscalização e do desenvolvimento de instrumentos econômicos que dêem mais valor a floresta em pé do que derrubada para produção de madeira, gado ou soja, tendo em vista que 75% das nossas emissões de CO2 vêm do desmatamento.Segundo dados recentes, o desmatamento já chega a quase 20% da região Amazônica, incluindo os estados do Pará, Amapá, Roraima, Maranhão, Tocantins e uma parte do Amazonas. De acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em agosto de 2008 o desmatamento chegou a 756 km2, com aumento de 228% em relação ao mês de agosto de 2007. Em abril de 2008 a destruição atingiu 1.124 km2, acumulando 5.681 km2 de janeiro a agosto de 2008, ou quase quatro vezes a área da capital paulista.Agora você já sabe por que tanta gente se preocupa com o futuro da Amazônia, sendo citada tanto como “problema” e “solução”. Conter o desmatamento significa mudança no nosso modelo de desenvolvimento econômico e de uso do solo da região, considerado um dos grandes desafios do Brasil para ajudar no combate ao aquecimento global.

Afinal, o que vai acontecer?

1 – Alteração nos padrões regionais de chuva। Poderá chover mais e a água evaporar mais rápido, podendo provocar maior seca dos solos em determinadas épocas do ano. Isso pode levar ao aparecimento de novas áreas desérticas, bem como outras se tornarão mais chuvosas.

2 – Outra mudança que também pode ocorrer é a migração de áreas produtivas em direção aos pólos. Isso porque regiões produtoras de grãos tenderão a ficar mais secas, enquanto outras regiões mais geladas podem se tornar terras produtivas por ficarem mais quentes.

3 – Aumento da intensidade de tempestades tropicais, ocasionando chuvas e ventos fortes, podendo aumentar a incidência de furacões. Este é um efeito já constatado e observado. Os Estados Unidos freqüentemente sofrem grandes perdas com a ocorrência de furacões como o Katrina (que devastou a cidade de Nova Orleans em 2005) e mais recentemente, em julho de 2008, com a ocorrência do furacão Dolly, que deixou rastros de destruição entre a fronteira mexicana e americana. Em ocasião inédita na América do Sul, em março de 2004, o furacão Catarina, de intensidade 2 (que em uma categoria de 1 a 6 representa ventos de até 160km/h), atingiu o Sul do Brasil, devastando casas e plantações inteiras. Em novembro de 2008 o estado de Santa Catarina sofreu a pior catástrofe ambiental de sua história, sendo atingido por chuvas que deixaram mais de 30.000 desabrigados e mais de 100 mortos, tendo sido atingidos 49 municípios, sendo mais de 1,5 milhão de pessoas afetadas.

4 – Crescimento e agravamento de problemas de saúde, como por exemplo, asma, rinite e outros. A própria cidade do Rio de Janeiro se viu, nos meses de abril e maio de 2008, atacada pela Dengue Hemorrágica. Ainda mais recente (julho de 2008) é o caso da cidade de São Paulo que registrou mais de 35 dias sem chuvas, baixa umidade relativa do ar (índices chegaram a 22%) e um dos invernos mais quentes já registrados, com temperaturas acima de 33ºC. Também epidemias como dengue e malária ocorrem em decorrência de um desequilíbrio na temperatura global.

5 – Elevação no nível dos mares, por questão do derretimento de geleiras e da dilatação térmica da água do mar. Com isso, ilhas e áreas costeiras ficam ameaçadas, como é o caso de Manhattan nos EUA e a cidade do Rio de Janeiro no Brasil. Segundo cientistas do IPCC, se a emissão de gases de efeito estufa mantiver esse ritmo, poderemos chegar em 2100 com até 90 cm acima dos níveis atuais.

6 - Estudo divulgado em agosto de 2008 pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) avalia o impacto do aumento da temperatura sobre a agricultura no Brasil, prevendo uma queda de 25% na produção agrícola em geral para todos os grãos. Os pesquisadores estimam também que a pecuária será prejudicada, havendo queda na produção de leite e aumento de abortos em vacas. Estes estudos vêm de encontro com outras pesquisas de especialistas internacionais que também apontam as mudanças climáticas como tendo efeito direto na crise mundial de alimentos, já sendo possível observar a influência desses fatores em safras e colheitas, agravando a tendência inflacionária apontada nos principais países do mundo, ocasionada pela menor oferta de alimentos, em função das alterações no clima.

7 – Uma grave conseqüência também das mudanças climáticas é a ruptura da chamada “Teia da Vida”. Muitos estudiosos acreditam que já estamos entrando num processo de extinção em massa tão severo quanto as extinções em massa que ocorreram no passado. A taxa normal de extinção é de aproximadamente 10 a 25 espécies por ano. A taxa atual é provavelmente pelo menos vários milhares de espécies por ano e pode ser dez vezes mais essa estimativa. Um novo clima pode tornar o habitat de algumas espécies inviável, podendo não ser tão simples “fazer as malas” e mudar-se para uma nova região onde o novo clima poderia ser mais favorável. Cerca de 15 a 40% das espécies podem desaparecer com apenas 2ºC de aquecimento global. Como exemplo, temos a alteração das cores dos corais encontrados na região do Parque Marinho de Abrolhos, no litoral do extremo sul da Bahia, bem como em vários outros locais, evidenciando que os mesmos encontram-se doentes.

8 – Além das conseqüências mencionadas acima, podemos citar a diminuição dos manguezais, escassez de água potável e de alimentos, salinização e conseqüente perda de áreas cultiváveis, prejuízos para as economias baseadas na agricultura e no turismo, aumento de vetores de diversas doenças infecto-contagiosas (malária, dengue, etc.), mares mais ácidos, redução de plânctons (base de alimentos dos ecossistemas), desertificação crescente e incêndios florestais, aumento dos custos dos seguros, dentre outras.

O princípio da precaução

É comum surgirem teorias contrárias à hipótese do aquecimento global. O que isso significa? Que não se sabe ao certo o que vai ocorrer? Não. A ciência é feita a partir de longas discussões, que podem durar anos. Em 1992, foi adotada a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). O objetivo desta convenção (acordo) é estabilizar a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera num nível que impeça uma alteração perigosa no clima, de forma que os ecossistemas possam se adaptar naturalmente à mudança climática, assegure a produção de alimentos e permita que o desenvolvimento econômico prossiga de maneira sustentável.

Mas por que estes países adotaram a Convenção se não se tem certeza absoluta de que o clima, tal como conhecemos, pode mudar drasticamente? Isto ocorreu porque os 192 países signatários desta Convenção adotaram o princípio da precaução, segundo o qual a falta de plena certeza científica não deve ser usada como razão para postergar medidas de combate ao agravamento do efeito estufa.Certeza absoluta só se terá no dia em que as previsões realmente acontecerem. Os riscos envolvidos em não tomar nenhuma atitude (inação) para combater esse problema são muito grandes. Envolve o aumento da temperatura, do nível do mar, mas principalmente o bem-estar humano e o respeito aos outros seres vivos habitantes deste planeta.Muitas das controvérsias e informações falsas plantadas na mídia por grupos econômicos poderosos que questionam o aquecimento global perderam força após os relatórios do IPCC de 2007, obrigando mesmo os mais céticos a reverem suas posições sobre o assunto.As informações contraditórias que ainda são observadas em artigos na mídia têm duas fontes principais, a primeira são grupos econômicos que financiam a elaboração e disseminação de artigos e “estudos” que contestam o aquecimento global, por uma razão óbvia: caso a população se conscientize em massa, estes grupos sofrerão ataques da opinião pública e perderão cada vez mais sua condição de poder econômico na sociedade.A segunda fonte de contradições vem da falta de conhecimento aprofundado sobre o assunto.

Reações possíveis às mudanças climáticas

Considerando os riscos envolvidos numa inação (não tomar nenhuma atitude) face ao problema, temos as seguintes reações possíveis para combater a mudança climática:

MITIGAÇÃO – São as ações humanas para reduzir as emissões ou ampliar os sumidouros de gases de efeito estufa. Sendo os sumidouros definidos como qualquer processo, atividade ou mecanismo, incluindo a biomassa11 e, em especial, florestas e oceanos, que tenha a propriedade de remover gás de efeito estufa da atmosfera. O que importa são as reduções líquidas de gases de efeito estufa da atmosfera por atividades humanas, ou seja, o resultado final entre as emissões provocadas pelas ações humanas e as remoções efetuadas pelos sumidouros.

ADAPTAÇÃO – É o conjunto de iniciativas e estratégias que permitem a adaptação, nos sistemas naturais ou criados pelo homem, a um novo ambiente, em resposta à mudança do clima atual ou esperada. São ações com o objetivo de prevenir as conseqüências negativas que a mudança do clima possa causar na natureza e nas populações vulneráveis. Seguindo o princípio da precaução, podem ir de medidas gerenciais (como mecanismos financeiros, administrativos e jurídicos para diminuição de riscos); até alterações no ambiente físico, como melhorar a eficiência de obras de infra-estrutura, como prédios e estradas para resistir a condições ambientais adversas, a construção de barreiras em locais que possam sofrer inundação, como margens de rios e zonas costeiras, desenvolvimento de espécies de cultivo resistentes à seca, etc. Os países pobres devem prestar atenção especial para este item, por não terem a mesma infra-estrutura e capacidade de lidar com os problemas do que os países desenvolvidos.
A sociedade e os governos devem promover a produção de informação científica de apoio, políticas públicas, leis, regulamentos, incentivos econômicos, educação ambiental, soluções tecnológicas, conscientização pública e mobilização da sociedade, no sentido de viabilizar e motivar as ações demitigação e adaptação à mudança do clima।

11 Biomassa - Quantidade total de matéria orgânica de um determinado ecossistema.

Emissões e desenvolvimento
A maior parte das emissões de gases de efeito estufa ao longo da história provém, indiscutivelmente, dos países industrializados, as quais se iniciaram muitas décadas antes das emissões dos países em desenvolvimento. Estes países representam 20% da população mundial, respondem por 57% do PIB (Produto Interno Bruto) e emitiram 46% do total mundial de gases de efeito estufa em 2004.
Seguindo o mesmo modelo que os países desenvolvidos, os países em desenvolvimento emitem níveis menores de gases de efeito estufa, mas com crescimento muito mais acelerado. Nos últimos 15 anos, enquanto os países desenvolvidos aumentaram em 20% as suas emissões, o Brasil aumentou 68% e a Ásia 104%. A China (país em desenvolvimento, assim como o Brasil), em 2008, já passou a ser o maior emissor global de gases de efeito estufa, seguido dos Estados Unidos. As maiores taxas de crescimento das emissões globais são observadas no setor de energia e transportes.Alguns países e iniciativas já tentam inverter esse princípio, de que o desenvolvimento se constrói com alto consumo de energia e emissões de carbono.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Modelos Climáticos

Modelos climáticos podem prever o tempo para daqui algumas horas, simular eventos que ocorreram no passado, ou até mesmo projetar cenários climáticos para o futuro, o princípio é o mesmo: o clima é simulado em computadores. A previsão que vemos diariamente, se vai chover, fazer sol, etc., é feita a partir de modelos climáticos. Para executar esta tarefa, os elementos do clima são simplificados em equações matemáticas. Simular o tempo e o clima é, então, com a ajuda do computador, fazer com que as equações matemáticas representem a atmosfera da forma mais próxima possível da realidade.

Afinal de quem á a culpa pela mudança climática? Do ser humano? Ou a alteração de temperatura é apenas um ciclo natural que a Terra está enfrentando? Nos gráficos a seguir, a linha preta representa a temperatura que foi observada pelos termômetros nos últimos 100 anos. Em laranja, a temperatura média que foi estimada por 14 modelos em 58 simulações. Nesse caso, a semelhança entre a estimativa de temperatura feita pelos modelos e a temperatura observada é muito grande, indicando que os modelos apresentam erros, mas na média previram o que iria acontecer com o clima no século 19.

Nas simulações, os elementos podem ser colocados ou retirados conforme o pesquisador desejar. Na linha laranja, foram consideradas as influências naturais e as humanas somadas. Porém, se o aquecimento provocado pelos gases emitidos pelo ser humano for retirado da simulação, e apenas osfatores naturais forem considerados, o resultado é bem diferente do que foi observado: a temperatura modelada em computadores não segue a mesma tendência que observamos na prática (linha verde), reforçando a hipótese de que o ser humano tem modificado o clima do planeta.



Fonte: IPCC – Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – Relatório Sintético

O quarto relatório do IPCC apontou, em 2007, que o aquecimento global é “inequívoco”, e que a contribuição humana para a elevação da temperatura é “muito provável”, com mais de 90% de certeza.

Cenários e Previsões Futuras

Com a confiança adquirida nos modelos climáticos com as simulações do clima do passado, estes modelos também foram utilizados para projetar qual seria a temperatura de acordo com a concentração de CO2 no futuro, conforme mostra o gráfico a seguir:



Cenários futuros de emissões de gases de efeito estufa. Fonte: IPCC.
Todas as simulações projetam aumento de temperatura conforme a concentração desse gás. No ano de 1870 a concentração de CO2 na atmosfera era de 290 partes por milhão (ppm9). Em 2005, este valor atingiu 380 ppm, um aumento de 30%. Neste mesmo período foi detectado um aumento de 0,8°C na temperatura média global!

A curva inferior (cor laranja) corresponde a uma situação hipotética (e inverossímil
10), supondo que a concentração atmosférica dos gases de efeito estufa fosse mantida constante no futuro, no seu valor atual.

Mesmo assim a temperatura continuaria subindo, embora lentamente, pois mesmo se todas as emissões fossem suspensas desde já (e isso envolveria o desligamento das termelétricas e de todos os automóveis, aviões, trens e fábricas em atividade, bem como o fim das emissões vindas das queimadas e de outras fontes), ainda assim haveria um aumento de 0,6ºC, pois os gases de efeito estufa já presentes na atmosfera ainda continuarão agindo por muito tempo. Em termos gerais, já teríamos certeza de um aumento de 1,4ºC nas próximas décadas.
Na pior hipótese (curva vermelha), com o crescimento contínuo da população e o desenvolvimento econômico seguindo os mesmos padrões de produção e consumo, e se nada for feito para reduzir as emissões, as projeções indicam que a concentração de CO2 pode chegar rapidamente a mais de 1.000 ppm e a temperatura aumentar mais de 4°C, com resultados catastróficos para a humanidade.

As curvas azul e verde representam cenários de emissões futuras de acordo com certas premissas sobre o crescimento populacional e uso de energia, onde as temperaturas ficariam dentro de limites controlados, com resultados previsíveis na economia e no meio ambiente.

A curva azul corresponde à proposta da União Européia (UE) de um consenso mundial, visando limitar o aumento da temperatura a 2ºC em meados deste século.

No ritmo atual de crescimento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera é previsto que já em 2030 se atinja o nível considerado perigoso para o clima da Terra – entre 400 e 450ppm.

Se chegarmos neste ponto, a nossa interferência no sistema climático da Terra poderá trazer conseqüências irreversíveis e incontroláveis, e os impactos previstos para as áreas de saúde, agricultura, biodiversidade e meio ambiente trarão sérios riscos para a nossa sobrevivência neste planeta.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Efeitos do Aquecimento Global no Pólo Norte

Abaixo, é possível acompanhar a variação da cobertura de neve no Hemisfério Norte. Perceba que perto da década de 1990 temos o registro mais baixo de cobertura de neve, e a linha de tendência mostra que essa situação não parece ter volta. Entre outros fatores, é o desaparecimento desta cobertura de neve que provoca o aumento da média global do nível do mar.



Fonte: IPCC – Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – Relatório Sintético

Desde 1979, houve uma redução de cerca de 20% da calota de gelo no Pólo Norte, conforme pode ser observado na imagem a seguir:





Urso polar em extinção


O urso polar (Ursus aritimus), ou urso branco, encontra-se em perigo de extinção, devido ao aquecimento global, que afeta o seu ecossistema, uma vez que ao derreter o gelo nas zonas em que ele caça (até 3 semanas antes do que algumas décadas atrás), não conseguem armazenar suficiente gordura corporal para passar adequadamente o verão, que faz com que as fêmeas sejam menos férteis. Lembrando que, desde o parto, a fêmea passa meses sem comer e amamentando à cria, o que justifica a falta de fertilidade se não conseguiu obter a gordura necessária. E como estes animais acasalam entre Abril e Maio, mas os óvulos não são fertilizados até Setembro (implantação diferida), acontecem muitos casos de fêmeas que acasalaram mas depois não ficam fertilizadas, tendo alcançado em poucas décadas uma diminuição da taxa de natalidade do 15%. Na última lista dos 10 principais animais em perigo de extinção por causa da mudança climática, publicada pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF, em português aqui), o urso polar ocupa o primeiro lugar da lista, e indicam que, se a mudança climática continua o seu curso actual, a espécie vai desaparecer de aqui a 75 anos.




Este urso, rei do Ártico, é um carnívoro que caça e se alimenta de todo tipo de animais do seu entorno, excepto raposas e lobos, e ocasionalmente chegou a atacar animais domésticos em povoações.

Mesmo que seja raro o ataque ao homem (e esses casos correspondem quase todos a animais feridos previamente pelo próprio homem), até uns anos atrás a sua caça massiva, inclusive desde barcos e helicópteros, fez diminuir tanto o seu número que passou a espécie em perigo de extinção, pelo que se proibiu a sua caça.

Mas agora parece que volta a situar-se na mesma posição por diferente motivo.