"De acordo com algumas estimativas, já há quase tantas pessoas deslocadas no mundo em razão do clima quanto refugiados tradicionais", declarou Yvo de Boer, secretário executivo da Convenção da ONU sobre mudanças climáticas (UNFCCC).
"Os números crescerão verdadeiramente, à medida que os efeitos das mudanças climáticas sejam mais perceptíveis, e poderão chegar a 50 milhões de pessoas até 2010", declarou a principal autoridade da ONU para o clima, durante uma entrevista coletiva à imprensa após uma reunião do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).
Já podem ser consideradas ameaçadas as comunidades vítimas do derretimento das geleiras na América do Norte e na Groenlândia, as populações africanas que sofrem com a falta de água devido ao encolhimento do lago Chade, ou as vítimas do ciclone Katrina em Nova Orleans.
Amanhã, seu número poderá aumentar com as pessoas que fogem dos grandes deltas inundados que chegam hoje a 300 milhões, das terras aráveis ressecadas ou das economias em crise dos Estados insulares do Pacífico, da África tropical ou do baixo mediterrâneo.
"A questão dos refugiados ambientais promete ser uma das crises humanitárias mais agudas de nosso tempo", segundo Norman Myers, professor da Universidade de Oxford especialista no assunto.
A definição de refugiado climático é objeto de debates acalorados. "O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (HCR) não quer que se use o termo refugiados climáticos.
Eles preferem que o termo refugiado seja aplicado apenas aos refugiados políticos", explica John Hay, porta-voz do UNFCCC.
Um relatório do IPCC sobre os impactos regionais das mudanças climáticas, divulgado nesta sexta-feira em Bruxelas, evita com isso o termo "refugiado" e prefere "migrantes ambientais", sem tentar estabelecer nem prever o seu número.
Muitos cientistas acreditam que é impossível singularizar as mudanças climáticas entre todas as razões que podem levar as populações desabrigadas a fugir de suas terras.
Mas "quando você acrescentar o clima aos outros fatores que impedem as populações de viver em suas terras, o número (de refugiados) aumentará", prevê Thomas Downing, diretor do Instituto Estocolmo de Meio Ambiente em Oxford e que contribuiu para o relatório do IPCC divulgado nesta sexta-feira.
Um estudo realizado em 2000 pela Cruz Vermelha e pelo Crescente Vermelho havia estimado em 25 milhões o número de pessoas prestes a migrar em razão da degradação de seu meio, o que quase atinge a cifra de refugiados que fogem de conflitos armados.
Segundo o Professor Myers, o número poderá dobrar até 2010, e arrisca a atingir 200 milhões de pessoas "quando o aquecimento global for plenamente sentido".
ONU estuda adoção de medidas para proteger refugiados do clima.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) estuda estratégias de proteção aos chamados “refugiados do clima”, grupos de pessoas que estão deixando seus locais de origem por causa do impacto das mudanças climáticas, como elevação do nível dos mares e aumento da intensidade das secas em algumas regiões do planeta. De acordo com números da ONU, as mudanças climáticas devem forçar o deslocamento de cerca de 50 milhões de pessoas na próxima década.
De acordo com o oficial de proteção do Acnur no Brasil, Wellington Carneiro, a garantia de direitos internacionais a essas comunidades é um dos principais desafios atuais da entidade. “A rigor, no Direito Internacional de Refugiados, não existe uma figura que contemple o refugiado ambiental, que se desloca devido à catástrofes da natureza. É um dos grandes problemas que enfrentamos hoje em dia. Há 60 anos não havia debate sobre mudança climática”, afirma.
O debate sobre a regulamentação de direitos e garantias a esse tipo de refugiado poderá incluir a flexibilização de regras para imigração, nesses casos, como já acontece em episódios de asilo político ou de refugiados de guerra.
Carneiro considera o conflito em Darfur, no Sudão, um dos primeiros casos de refugiados climáticos, porque, segundo ele, as disputas étnicas foram provocadas pelas escassez de recursos causadas pelas secas prolongadas na região, localizada entre o Deserto do Saara e a África Tropical. “Darfur levantou um debate muito sério sobre como as mudanças climáticas, a desertificação, as grandes catástrofes ambientais e principalmente a escassez de água e de recursos em regiões semidesérticas ou de seca podem provocar conflitos armados e gerar refugiados clássicos”, afirmou.
O provável desaparecimento de pequenas ilhas do Pacífico, como Tuvalu, e as Ilhas Maldivas, no Oceano Índico, por causa do aumento do nível do mar e a desertificação de regiões semi-áridas podem deixar milhares de pessoas sem pátria. A ocorrência de ciclones e furacões também forçará o aparecimento de refugiados ambientais, como já aconteceu após o furacão Katrina, que atingiu Nova Orleans (Estados Unidos), em 2005, e o tsunami que devastou partes da Indonésia, Somália e Sri Lanka.
A maior parte do contingente de refugiados de catástrofes ambientais não chega a cruzar fronteiras nacionais, migra dentro dos países, segundo o Acnur. “Mas é uma crise humanitária como todas as outras. É preciso uma resposta coerente para proteger essas pessoas”, disse Carneiro.
O representante do Acnur também cita a Amazônia como um dos possíveis cenários de refugiados ambientais, pela possibilidade de eventos climáticos que provoquem desertificação, desaparecimento de espécies e perda de diversidade biológica, “o que afetaria diretamente os povos indígenas da região”.
Fonte: Ambiente Brasil
Sejam bem-vindos os "refugiados do clima".
Vendo no mapa são apenas alguns pontinhos.

Chegando mais perto encontramos mais ou menos mil e duzentas ilhas que vivem juntas já por milhares de anos.
O ponto mais alto desse arquipélago não passa dos 2,5 metros.
De quem estou falando? A seta vermelha já está indicando... As Ilhas das Maldivas.
Essa semana estava lendo sobre uma reportagem que fala sobre essas ilhas.
Segundo os cientistas que estudam o clima, as Maldivas será uma das primeiras vítimas do Aquecimento Global.
Nas próximas décadas elas simplesmente vão desaparecer do mapa
Esse arquipélago será "engolido" pelo mar.
Isso é tão real que o atual presidente das Maldivas - Mohamed Nasheed - já está pensando no que ele e as próximas autoridades farão com os atuais ( hoje cerca de 385.000 habitantes ) e futuros moradores das ilhas !
As ilhas serão engolidas pelas águas !
Uma realidade assombrosa? Sim.
Só para as Ilhas das Maldivas? Não.
Calcula-se que nas próximas décadas dois bilhões de pessoas serão "refugiados do clima".
Terão que sair de onde moram e se refugiarem para terras mais altas.
Infelizmente por causa da ganância da maioria das pessoas e o pouco caso dos governos mundiais, os futuros mapas que serão produzidos pelas editoras, não mais terão os pontinhos onde se localizam as Maldivas.
Adeus Maldivas !
Sejam bem-vindos os refugiados do clima !
Prá mudar esse futuro sombrio... só por Deus !
Mais ainda há esperança, precisamos nos conscientizar e passar essas informações para as pessoas e fazer a nossa parte o mais completamente possível.
Podemos ajudar na mudança que o mundo precisa, podemos ser a mudança que o mundo precisa usando a nossa vida, ou ficamos assistindo a tudo quietos, vendo o mundo ruir a nossa frente.
Lembrem-se, juntos somos mais fortes !!!
Contamos com a sua colaboração nesse caminho de mudança de consciência !!
Um grande abraço !!