domingo, 27 de setembro de 2009

Contra a crise, executivo ex-comunista pede 'espiritualidade' de empresários

Sílvio Guedes Crespo



Em São Paulo


Boris Tabacof, filho de imigrantes russos que chegaram ao país na década de 1920, já foi comunista de carteirinha —filiou-se ao PCB nas décadas de 1940 e 1950, o que inclui um período de atuação clandestina. Mais tarde, tornou-se superintendente do grupo financeiro Safra, diretor do Grupo Suzano e presidente do antigo Banespa, para citar algumas de suas passagens pela cúpula de grandes companhias.

Mas foi depois da atual crise econômica internacional que ele resolveu reunir sua experiência de vida —acumulada desde os tempos de militância política até a atual condição de conselheiro de grandes companhias— no livro "Espírito de Empresário", lançado na semana passada pela editora Gente.

Com o livro, ele cobra de seus colegas empresários uma mudança de atitude, sem a qual a crise retornará "daqui a pouco", como ele diz. Não basta a imposição de controles ou de regulação dos mercados. Na sua avaliação, os empresários precisam, de forma voluntária, abrir mão da busca do "lucro a qualquer preço" e da "competição desvairada". Leia entrevista concedida ao UOL.



UOL - Quais são os valores que todo empresário deve ter?


Boris Tabacof - Alguns valores têm sido bastante discutidos. Estão relacionados à responsabilidade social, à relação das empresas para com os seus empregados, com o meio ambiente, com a comunidade onde ela atua.


Neste livro eu procuro fazer uma síntese além desses aspectos. Eu incluo a questão dos valores espirituais. Não se trata de condições religiosas. Eu considero que nós estamos inseridos num universo que tem uma inteligência suprema e uma sabedoria divina. Essa visão cria uma responsabilidade de ordem moral de alcance quase ilimitado.

Não é possível que quando passa o momento mais agudo dessa gravíssima crise, depois de tantas dificuldades e sacrifícios, a gente volte às mesmas coisas de sempre: ambição desenfreada e falta completa de qualquer critério de ordem moral. É necessário que se comece a pensar em outro nível de responsabilidade moral.

UOL - O que deveria mudar depois dessa crise?



Tabacof - Deve ser posto um nível de controle à questão do 'lucro a qualquer preço', que infelizmente fica patente na ação dos mercados financeiros.


Deve haver uma modificação interna: uma convicção de que nós, empresários, temos uma responsabilidade maior, e isso deve se refletir no negócio — por exemplo, na relação da empresa com seus empregados.


Essa expressão "recursos humanos", para mim, significa que as empresas têm máquinas, terras, construções, capital... e seres humanos, como um recurso que pode ser substituído ou desprezado sem qualquer consideração, porque ele não passa de mais um recurso.


Em vez disso, temos que nos lembrar de que estamos tratando com gente. Isso é um dever moral, e ainda aumenta muito a eficiência da empresa. Você já imaginou dezenas, centenas ou milhares de pessoas engajadas numa atividade empresarial, que vibram positivamente? Você imagina o resultado concreto disso, em termos de produtividade?


UOL - Essa mudança de pensamento já está ocorrendo?


Tabacof - Já existe um embrião disso em algumas empresas, e por coincidência elas são muito bem-sucedidas.



UOL - Quais são essas empresas?



Tabacof - Eu poderia citar a Natura, que já é quase um padrão na forma como se relaciona com recursos da natureza e na forma com que se refere ao seu pessoal. A própria Companhia Suzano, de cujo Conselho de Administração eu sou vice-presidente, começa a caminhar nessa direção.

É um processo lento porque nós temos que mudar, inclusive, a forma como a gente reage à competição. A competição entre as empresas não pode ter um jeito canibalesco, de competir a qualquer preço a ponto de causar uma destruição de ordem moral e de recursos diversos.

Essa submissão completa ao que se chama mercado, especialmente o mercado financeiro — essa ambição desvairada, em que é preciso superar o outro de qualquer maneira, a qualquer preço — já começa a encontrar resistência.

Não é só uma questão de inventar recursos de controle e regulação, que são, aliás, necessários, mas é também uma atitude voluntária que depende muito de quem está no comando. Essas pessoas devem dar o exemplo pessoal de delimitar essa ambição.

Há um caso chocante que há poucos dias os jornais noticiaram, de que 23 empregados ou ex-empregados da France Telecom se suicidaram. Um exemplo impactante e dramático do estrago humano causado por essas crises amorais, em que se coloca o ganho acima de qualquer outro valor.

Agora, trata-se de reconstruir o Brasil e toda a economia mundial com base nesses novos valores, senão tudo isso, daqui a pouco, volta.


UOL - Mas o lucro não vai ser, sempre, a meta suprema de toda empresa?






Tabacof - Eu só não subscrevo a sua expressão "suprema". O lucro é o objetivo precípuo da empresa. Só que ele vai ter parâmetros de ordem moral.


De início, o meu espaço para avançar e progredir tem o limite no mesmo espaço do meu próximo. Isso pode parecer idealista e utópico, mas é uma meta que tem que ser colocada. É um processo lento, histórico, de mudança de atitude. O estrago é tão grande, nessa ambição e nessa disputa que eu tenho visto, que vai fazer com que a gente reflita.

Uma empresa humana, que tem valores, que coloca limites, por exemplo, diante da questão ambiental, da sua relação com a comunidade e com seus empregados, ela é mais rentável, mais produtiva.


O sucesso do lucro não é uma questão só de vender o máximo que pode e baixar ao mínimo o seu custo. Isso é parte do quadro, mas tem um limite, senão se torna um traço autodestrutivo. A empresa que tem espírito fraternal, até onde é possível, certamente terá melhor lucro.

Já existem investidores que preferem empresas que têm consciência social porque acreditam que essas empresas acabarão por prevalecer. Em última análise, num processo que pode demorar algum tempo, o valor lucro vai também ser medido por outros valores.


UOL - Como fica o conceito de sucesso profissional nesse contexto?

Tabacof - Já se nota, em várias empresas e instituições, que aquele profissional ambicioso, que pisa onde precisa e em quem precisa para galgar posições mais altas, começa a ter menos acesso às empresas.

Aqueles dirigentes que são humanos na forma de comandar, que entendem que não estão lidando com objetos, fazem uma carreira mais positiva e alcançam as primeiras posições.

Eu não posso mais imaginar, por exemplo, dirigentes de empresas que não respeitam as dificuldades e obstáculos das pessoas que o cercam e não consideram as necessidades humanas de seus subordinados. Mas essa mudança está em processo, eu não vou dizer que já é uma realidade completa.

Estará chegando o tempo da energia eólica no Brasil?

http://www.cartacapital.com.br/app/coluna.jsp?a=2&a2=5&i=5018


11/09/2009 11:24:53
Ricardo Young




Um estudo elaborado pela Eletrobrás – cuja íntegra será divulgada só em novembro – pode contribuir decisivamente para impulsionar o uso de energia eólica no Brasil. Sua aplicação sempre foi considerada “cara”, mas o levantamento feito pela estatal prova o contrário: a energia eólica é mais barata que as usinas térmicas a gás e a diesel.

O investimento inicial é alto, mas bastam dez dias para ele começar a ser mais compensador do que o investimento feito em energia térmica. E o estudo ainda demonstra que a geração de energia eólica precisa de dois meses para ficar mais barata do que aquela gerada por outras fontes.

Será que esta constatação feita pela própria Eletrobrás vai finalmente incentivar a elaboração de um plano de longo prazo para utilização em larga escala da energia eólica?

Atualmente, ela representa menos de 1% da matriz energética nacional, com potência instalada de 547 megawatts / ano. As usinas localizam-se principalmente no Nordeste e no sul do país, locais onde o regime de ventos é mais propício a este tipo de atividade. Até o final de 2010, estima-se que o potencial instalado chega a 1300 megawatts /ano. A capacidade instalada no Brasil hoje é de pouco mais de 100 mil megawatts e vai chegar a 130 mil megawatts em 2013.


A hidreletricidade representa, hoje, com 80% da matriz energética. Os restantes 20% estão divididos entre usinas térmicas a carvão, diesel e gás, (12%), pequenas centrais e fontes alternativas (8%).


Antes da divulgação deste estudo, previa-se para 2013, o crescimento das térmicas tradicionais de 12 para 21% na participação da matriz; e de 4,5% das pequenas centrais – cuja geração virá da biomassa. As hidrelétricas tradicionais deverão recuar sua participação para 69% e a energia eólica deverá manter seu percentual de participação em torno de 1%.


Estes dados são preocupantes porque mostra uma tendência de “sujar” a matriz energética, justamente num momento em que é preciso investir alto em fontes que nos levem a uma economia de baixo carbono. Se as usinas têm baixo custo de instalação, sua manutenção é cara e tende a se tornar cada vez mais cara, porque será preciso controlar as emissões de poluentes. Por sua vez, como mostra o estudo da Eletrobrás, a energia eólica é uma alternativa competitiva e que, até o momento, não está sendo considerada com o devido cuidado.
E todo o potencial eólico brasileiro fosse convertido em energia, teríamos a geração de 272 terawatts / hora por ano (1 terawatt = 1 trilhão de watts), ou a metade do nosso consumo anual.


E mais: nossos períodos de seca, quando os reservatórios estão baixos, coincidem com as épocas nas quais os melhores ventos sopram por aqui. Assim, se tivéssemos usinas eólicas instaladas à força plena, poderíamos usá-las, em vez de queimar combustível e sujar o meio ambiente com as térmicas (a opção disponível para estas ocasiões).


Este estudo da Eletrobrás apontou outra dificuldade, além do custo, para a aplicação em larga escala da energia eólica no país: a falta de cultura sobre o tema. A sociedade não se preocupa com as questões vinculadas à energia – a não ser quando precisa economizar – e, no caso específico da eólica, os engenheiros, pesquisadores e outros especialistas sobre o tema acabam deixando o país para trabalhar em outros lugares. Assim, um programa não avança porque a tecnologia é cara. A tecnologia é cara porque não há incentivo à pesquisa. Sem pesquisa, não há pesquisadores e vamos queimando diesel em arcaicas usinas térmicas (de fato, qualquer máquina a combustível fóssil será também fóssil em breve!).


Não é de uma hora para outra que vamos prescindir das termelétricas. Mas é preciso planejar a obsolescência delas ao mesmo tempo em que se instalam as novas usinas eólicas. Esta mudança implica levantamento minucioso de custos e também uma “licença social” para ocorrer, já que será preciso descontinuar cadeias produtivas antigas em favor de outras voltadas para a energia alternativa. Como fazer isso de maneira sustentável e democrática, levando em conta os interesses de todas as partes envolvidas?

Peter Senge, chefe do Centro de Aprendizagem do MIT, nos EUA, e autor de “A Quinta Disciplina”, lançou recentemente um livro para tratar justamente de como empresas, governos e sociedade civil podem estimular a busca por tecnologias que não agridam o meio ambiente. “A Revolução Necessária” - este é o nome do livro – prega que as soluções precisam ser construídas com trabalho conjunto em todos os níveis, em equipes que reúnam indústrias, comunidades e cadeias de abastecimento globais, para que realmente funcionem a favor da sustentabilidade. Senge cita o exemplo do governo americano que estabeleceu por decreto a utilização do milho para fabricar etanol, como forma de diminuir a dependência do país em relação ao petróleo. A decisão acarretou um forte impacto na agricultura e nos negócios agrícolas em todo o mundo. “Não seria mais indicado firmar parcerias com empresas e universidades para buscar uma alternativa realmente sustentável?”, pergunta Senge.

Na questão do uso da energia eólica, e em outros que envolvem o desenvolvimento sustentável, o dilema da transição é o mesmo descrito por Senge: estabelecer parcerias que trabalhem para criar o mundo novo de que tanto necessitamos.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Ser Transparente...

Às vezes, fico me perguntando por que é tão difícil ser transparente...



Costumamos acreditar que Ser Transparente é simplesmente ser sincero, não enganar os outros.


Mas “Ser Transparente” é muito mais do que isso...


É ter coragem de se expor, de ser frágil,de chorar, de falar do que a gente sente...

Ser transparente é desnudar a alma, é deixar cair as “máscaras”, baixar as armas.

Destruir os imensos e grossos muros que insistimos tanto em nos empenhar para levantar...


Ser transparente é permitir que toda a nossa doçura aflore, desabroche, transborde...




Mas, infelizmente, quase sempre, a maioria de nós decide não correr esse risco. Preferimos a dureza da razão à leveza que exporia toda a fragilidade humana....



Preferimos o “nó na garganta” às lágrimas que brotam do mais profundo de nosso ser...

Preferimos nos perder numa busca insana por respostas imediatas a simplesmente nos entregar diante de Deus e admitir que não sabemos, que temos medo!


Por mais doloroso que seja ter de construir uma ‘máscara’ que nos distancia cada vez mais de quem realmente somos e até do nosso Deus... preferimos assim: manter uma imagem que nos dê uma falsa sensação de proteção...


E assim vamos nos afogando mais e mais em falsas palavras, em falsas atitudes, em falsos sentimentos...

Não porque sejamos pessoas mentirosas!...


Mas porque, como folhas secas, nos perdemos de nós mesmos e já não sabemos onde está nossa brandura, nosso amor mais intenso e não-contaminado...


Com o passar dos anos, um vazio frio e escuro nos faz perceber que já não sabemos dar e nem pedir o que de mais precioso temos a compartilhar com os irmãos... doçura, compaixão... compreensão...

De que todos nós sofremos e às vezes nos sentimos sós, imensamente tristes e choramos baixinho antes de dormir...


Num silêncio que nos remete à saudade de “nós mesmos”.




Daquilo que pulsa e grita dentro de nós, mas que não temos coragem de mostrar àqueles que mais amamos!



Porque, infelizmente, aprendemos que é melhor revidar, descontar, agredir, acusar, criticar e julgar do que simplesmente dizer: “você está me machucando... Pode parar, por favor!”

Porque aprendemos que dizer isso é ser fraco, é ser bobo, é ser menos do que o outro...


Quando, na verdade, se agíssemos deixando que a nossa razão ouvisse também o nosso coração, poderíamos evitar tanta dor... Tanta dor!...

"Não devemos ter medo dos confrontos,mas sugiro que deixemos explodir toda a nossa doçura! "


Que consigamos não prender o choro, não conter a gargalhada, não esconder tanto o nosso medo, não desejar parecer tão invencíveis. Que consigamos tentar não controlar tanto, responder tanto, competir tanto, mas confiar na Graça do Senhor Jesus Cristo , que nos basta.

“Lembrando que “a vida é tão curta e a tarefa de vive-la é tão difícil que quando começamos a aprende-la, já é hora de partir...”

Sigamos na certeza de que.... TUDO PASSA...

Que consigamos docemente viver... Sentir... Amar... Ser Transparentes!...


Certo de que esse momento que você vive, seja ele de muita alegria ou de dor…


Vai passar!


E você deverá seguir em frente, sem olhar para trás, rumo à eternidade, sempre transparente, porque tudo passa, mas você é eterno...


“…no favor do Senhor está a vida; o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã - Salmos 30:5.



Quanto ao mais, irmãos, regozijai-vos, sede perfeitos, sede consolados, sede “de um mesmo parecer”, vivei em paz; e o Deus de amor e de paz será convosco” - 2 Coríntios 13:11.



Abraços.

Quem são e o que pensam os líderes mundiais que fazem as previsões sobre o clima com poder de mudar

25 de setembro de 2009



Fonte: Valor Econômico


Senhores do tempo



Um imponente edifício de vidros verdes chama atenção próximo à sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, na Suíça. Na recepção, um painel na parede exibe a temperatura de 26º C, quente para os padrões após o verão - e dá pistas sobre o ofício do lugar. Construído com critérios ambientais para aproveitar a luz solar e aumentar a eficiência energética, o prédio da Organização Meteorológica Mundial (WMO, em inglês) é o quartel general das previsões sobre o clima global e seus impactos. Quem trabalha naquelas salas domina os gráficos, mapas e cifrões que baseiam as decisões sobre o futuro do planeta. Mudanças na matriz energética, investimentos na economia de baixo carbono e adaptação das empresas e dos países para os efeitos do aquecimento dependem, em primeira instância, dos sinais de alerta e dos comandos que partem daquele prédio.






Pelo menos US$ 500 bilhões, segundo as estimativas do mercado, vão circular por ano no mundo para reinventar a economia. "Investir agora em informação climática é o melhor caminho para garantir à atual e às futuras gerações a capacidade de gerir riscos e perceber as oportunidades das mudanças no clima", afirma o russo Alexander Bedritsky, presidente da WMO, em sua sala no oitavo andar do edifício. Ex-chefe do Serviço Federal de Hidrologia e Vigilância Ambiental da Rússia, Bedritsky mudou os rumos da área climática naquele país em tempos de reforma econômica. Hábil nas negociações dos acordos internacionais, prepara-se agora para a batalha a ser travada em dezembro na COP-15, em Copenhague, que vai definir regras internacionais para reduzir as emissões de gases do efeito-estufa.






"Estou otimista", revela o indiano Rajendra Pachauri, presidente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), criado há 21 anos pela ONU para fornecer ao mundo uma visão científica clara sobre as alterações climáticas. O relatório divulgado pela entidade em 2007 confirmou cientificamente a suspeita: o planeta está em aquecimento como resultado das atividades do homem, com efeitos que podem ser catastróficos. "É certo que o tempo é muito curto, mas o acordo virá no último minuto", prevê Pachauri, lembrando que "o Protocolo de Kyoto não foi observado pelos países desenvolvidos". Grandes emissores de carbono, como os Estados Unidos, não assinaram o acordo.






Especializado em energia, Pachauri começou a carreira produzindo locomotivas a diesel, na Índia. Hoje prega alternativas para evitar as emissões e, ao comandar um time sênior que observa as mudanças no clima, frequenta os corredores da WMO, onde funciona o escritório central do IPCC. No oitavo andar, doze funcionários coordenam o trabalho de 2.500 cientistas de todo o mundo. O consultor científico Masaya Aiba iniciou os preparativos para o próximo relatório sobre o clima global, aguardado com expectativa para 2014, quando provavelmente já vão estar em curso novas políticas e mecanismos que podem ser criadas em Copenhague.






Na sala ao lado, Brenda Abrar-Milani tem a tarefa de gerir € 1 milhão do Prêmio Nobel da Paz, recebido pelo IPCC em 2007. Metade será aplicada em cursos de PHD na Europa para cientistas de países pobres, para capacitá-los a prever mudanças e enfrentar os impactos do clima em suas regiões. "A iniciativa privada entrará com mais € 500 mil para ampliar o programa", revela Brenda, sentada à mesa na cafeteria situada no terraço do prédio, com vista para o Lago de Genebra e para o edifício-sede da ONU com seus extensos jardins. "Importantes decisões sobre o clima são tomadas olhando para esse cenário."






Entre as mais recentes está a criação de uma rede mundial de serviços climáticos, debatida na 3º Conferência Mundial sobre Clima, realizada pela WMO em Genebra, de 31 de agosto a 4 de setembro, com participação de 20 chefes de Estado e representantes de 150 países. O objetivo da rede é melhorar a vigilância do clima e a adaptação para os efeitos do aquecimento, criando produtos e serviços específicos para os diferentes setores econômicos nas diversas regiões do planeta.






"Apesar dos avanços científicos, a economia e a população não estão preparadas, e precisamos nos mover rápido, porque os impactos estão chegando e os desastres já são evidentes", adverte o meteorologista Michel Jarraud, que chefiou o sistema europeu de previsões climáticas e desde 2004 é secretário geral da WMO. "As indústrias querem respostas mais precisas e seguras", diz. Na análise de Jarraud, a informação sobre clima precisa ser integrada aos processos de decisão e planejamento de investimentos de longo prazo.






Depois que o IPCC divulgou em 2007 seu quarto relatório, comprovando que a temperatura do planeta aumentou em torno de 0,8º C desde o início da era industrial, as bases científicas para acompanhar essas mudanças e seus efeitos evoluíram muito. "Mas ainda há lacunas e incertezas", explica Roberta Bosccolo, da WMO. Ela coordena o programa mundial para unificar metodologias, integrar os dados regionais e criar um modelo único de previsão climática. "Não há dúvida que o planeta como um todo está mais quente, mas sabemos pouco sobre o aquecimento e seus impactos em nível regional", afirma. Setores como energia, agricultura, transportes e turismo aguardam previsões mais precisas para tomar decisões. A meta é fazer projeções seguras para cada dez anos. "A investigação é chave para saber com clareza o que acontecerá com as economias dos países em desenvolvimento, como Brasil, China e Índia, essenciais para o controle do clima global", afirma Roberta, física especializada no estudo sobre a influência dos oceanos no clima.






"A produção agrícola depende do que acontece nos oceanos", diz Mannava Sivakumar, diretor da Divisão Mundial de Aplicações e Serviços Climáticos do WMO. A relação entre correntes marinhas e atmosfera, explica, é chave nos novos modelos para melhorar as previsões climáticas. "Apesar de as tecnologias estarem melhor documentadas, o seu uso está longe do ideal em muitos países", lamenta. Pesquisadores dos principais centros mundiais de observação do clima unem esforços para superar limites. Hoje, as previsões de chuva ou sol precisam ir além do que se vê todo dia na TV. "Erros são agora problemas cruciais", diz Tim Palmer, do Centro Europeu de Previsões Climáticas. "Precisamos de boas observações e computadores em massa." Para Jeray Meehl, do National Center for Atmospheric Research, dos Estados Unidos, "os atuais modelos climáticos não são capazes de atender às necessidades mundiais até 2100". O aquecimento, segundo ele, impõe uma nova era: a dos serviços climáticos. Trata-se da previsão sobre clima focada na mitigação e na adaptação às mudanças. "O desafio é traçar cenários com maior precisão para os próximos 30 anos, incluindo o ciclo de carbono nas previsões", revela Meehl.






No sétimo andar o edifício do WMO, o moçambicano Felipe Lucio guarda nas paredes da sala as fotos da enchente que matou 700 pessoas e causou prejuízo de US$ 500 milhões, em 2000, em Moçambique. Na época, ele comandava a área de meteorologia naquele país e montou um rigoroso sistema de alerta para a catástrofe não se repetir. Hoje Lucio trabalha no programa global de redução de desastres, orientando os países a criar leis e adotar tecnologias para tomar decisões rápidas contra inundações e outros efeitos extremos do aquecimento. "As mudanças no clima alteram o cenário de riscos, pois os eventos extremos se tornam mais intensos e frequentes, mas falta muito por fazer nos países em desenvolvimento", afirma. Ele lembra que cada US$ 1 investido na prevenção de desastres ambientais representa uma economia de US$ 8 a US$ 10 no custo das ações de emergência.






Quando o assunto é aquecimento global, o mundo descobriu que precisa falar a mesma língua. A questão é complexa. "É preciso traduzir um problema mundial para as realidades locais", ressalta Somesewhar Singh, da Cruz Verde Internacional. "Um terço da população mundial vive na pobreza e não tem respostas sobre o que acontecerá com ela", diz. Para Jean Fabre, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, a falta de informação é um abismo perigoso: "Estamos falando de garantir condições de vida para as futuras gerações".






Com trânsito livre nos escritórios da WMO, Gro Harlem Brundtland - a ex-primeira-ministra da Noruega que presidiu em 1987 a Comissão Brundtland, produzindo o primeiro e mais famoso relatório da ONU sobre a relação entre desenvolvimento econômico e conservação do ambiente - propõe a criação imediata de um sistema para coleta de dados sobre clima em longo prazo e um mecanismo de alerta prévio. "Agora sabemos que, mesmo se conseguirmos conter e reduzir as emissões de gases, o clima vai continuar mudando e também nós precisaremos mudar para nos adaptar a um clima mais instável".






O repórter viajou a convite da rede global de jornalistas Media 21.






Por Sérgio Adeodato, para o Valor, de Genebra


25/09/2009

Obama pressionará grupo para eliminar subsídios ao petróleo

Fonte: Folha de S. Paulo



O governo norte-americano deixou claro ontem que vai pressionar seus pares do G20, na cúpula que começa hoje em Pittsburgh, para que sejam eliminados todos os subsídios aos combustíveis fósseis, como são os derivados do petróleo.


Pelos cálculos de Todd Stern, delegado especial do presidente Barack Obama para mudança climática, estudos internacionais indicam que, "se tais subsídios fossem eliminados, haveria uma redução de 12% na emissão dos gases que causam o efeito estufa até 2050".


A ideia de eliminar os subsídios já havia sido levantada em mais de uma ocasião por Obama, inclusive em seu discurso do dia 23/09 na Cúpula sobre Mudança Climática na ONU. Mas havia uma difusa sensação de que a proposta seria remetida às discussões ambientais, e não ao G20, que teoricamente trata apenas de questões econômico-financeiras.


Mas, o delegado de Obama para o G20, Mike Froman foi claro: "Colocaremos à mesa o desejo de obter um acordo para eliminar as subvenções às energias fósseis".


A lógica por trás da proposta é a seguinte, diz Stern: "Os subsídios à energia têm significativo impacto na segurança energética, na mudança climática, na competitividade, na saúde e nas finanças dos governos".


O problema é que os subsídios são concedidos essencialmente pelos países em desenvolvimento, o que significa que serão eles que terão que tomar a iniciativa, o que sempre causa reações e a suspeita de que os Estados Unidos agem movidos apenas por seus interesses.


De todo modo, a proposta sobre subsídios é apenas parte do pacote geral do que Obama tem chamado de "economia verde", ou seja todo um projeto de reforma econômica de forma a que o crescimento econômico se apoie menos na emissão de gases responsáveis pela mudança climática.


Os Estados Unidos têm seu próprio plano, ainda pendente de aprovação no Congresso, mas gostariam de que os parceiros do G20 subscrevessem uma ação global com idêntico propósito. Se a proposta for levada avante, o mais provável é que surjam as mesmas discrepâncias entre países ricos e o mundo emergente que marcam as negociações para a cúpula específica do clima, a realizar-se em dezembro em Copenhague.






DO ENVIADO ESPECIAL A PITTSBURGH.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Musica "Masters of war" Bob Dylan

Essa letra do Bob Dylan, não tenho nem o que dizer, ela diz tudo por si só.


Seria uma alusão a guerra fria ? Seria uma alusão ao governo Bush ?

Posso dizer que não por causa da data que ela foi escrita, muitos anos atrás disso tudo, mais permanece muito atual.
Com Pearl Jam tocando, melhor ainda.




Masters of War


Come you masters of war, you that build the big guns
You that build the death planes, you that build all the bombs
You that hide behind walls, you that hide behind desks
I just want you to know I can see through your masks


You that never have done nothin' but build to destroy
You play with my world like it's your little toy
You put a gun in my hand then you hide from my eyes
Then you turn and run farther when the fast bullets fly




Like Judas of old you lie and deceive
A world war can't be won, and you want me to believe
But I see through your eyes and I see through your brain
Like I see through the water that runs down my drain


You that fasten all the triggers for the others to fire
Then you sit back and watch while the death count gets higher
You hide in your mansions while the young people's blood
Flows out of their bodies and gets buried in the mud


You've thrown the worst fear that can ever be hurled
Fear to bring children into the world
For threatening my baby, unborn and unnamed
You ain't worth the blood that runs in your veins


How much do I know to talk out of turn
You might say that I'm young, you might say I'm unlearned
But there's one thing I know, though I'm younger than you
Even Jesus would never forgive what you do


Let me ask you one question is your money that good?
Will it buy you forgiveness? Do you think that it could?
I think you will find when your death takes its toll
All the money you made won't ever buy back your soul


And I hope that you die and your death will come soon
I'll follow your casket through the pale afternoon
And I'll watch while you're lowered into your death bed
Then I'll stand over your grave till I'm sure that you're dead


SENHORES DA GUERRA





Venham seus senhores da guerra
Vocês que constroem as grandes armas
Vocês que constroem os aeroplanos da morte
Vocês que constroem todas as bombas
Vocês que se escondem atrás das paredes
Vocês que se escondem atrás das mesas

Eu só quero que vocês saibam
Que eu enxergo através de suas mascaras
Você que nunca fez nada
A não ser criar para a destruição
Você brinca com meu mundo
Como se fosse seu pequeno brinquedo


Você coloca uma arma em minha mão
E se esconde da minha vista
E se vira e corre longe
Quando as rajadas de balas voam



Como um Judas do passado
Você mente e engana
Uma guerra mundial pode ser vencida
Você quer que eu acredite
Mas eu enxergo através de seus olhos
E eu enxergo através de sua mente
Como enxergo através da água
Que escorre pelo meu ralo


Vocês aprontam os gatilhos
Para os outros atirar
Então vocês se afastam e assistem
Enquanto a contagem dos mortos aumenta
Vocês se escondem em suas mansões
Enquanto o sangue dos jovens


Escorre pelos seus corpos
E são enterrados na lama
Vocês jogaram o pior dos medos
Que possa ser lançado
Medo de trazer crianças
Para o mundo
Por ameaçarem meu filho
Ainda por nascer e sem nome


Vocês não valem o sangue
Que corre pelas suas veias
O quanto que eu sei
Para falar fora de hora?
Você pode dizer que sou jovem
Você pode dizer que sou inculto
Mas há uma coisa que eu sei
Embora eu seja mais novo que você


Nem Jesus jamais poderia
Perdoar o que você faz
Deixa eu te fazer uma pergunta
Será que seu dinheiro é mesmo tão forte?
Poderia comprar seu perdão?


Você acredita que pode?
Acho que irá descobrir
Quando sua morte te encontrar
Que todo o dinheiro do mundo
Não comprará de volta sua alma


E eu espero que você morra
E sua morte logo virá
Seguirei seu caixão
Na tarde pálida
E assistirei enquanto eles lhe abaixem
Para seu leito de morte
E ficarei de pé sob seu túmulo
Até ter certeza que estiver morto.




Musica "Do the Evolution" Pearl Jam


Nós vemos muitas manifestações da arte em expressões de crítica ao consumismo exagerado, a ganância do homem, etc...


Vou postando aqui algumas que tem a ver com o assunto.


E pra começar ( sou suspeito pra falar do Pearl Jam porque eu gosto pra caramba) a música “Do the Evolution” do Pearl Jam, um crítica sarcástica ao consumismo e maneira de viver do homem, grande letra do Eddie Vedder, do the Evolution Baby !!!!

Do The Evolution



Woo...
I'm ahead, I'm a man
I'm the first mammal to wear pants, yeah
I'm at peace with my lust
I can kill 'cause in God I trust, yeah

It's evolution, baby


I'm at peace, I'm the man
Buying stocks on the day of the crash
On the loose, I'm a truck
All the rolling hills, I'll flatten 'em out, yeah
It's herd behavior, uh huh


It's evolution, baby


Admire me, admire my home
Admire my son, he's my clone
Yeah, yeah, yeah, yeah
This land is mine, this land is free
I'll do what I want but irresponsibly


It's evolution, baby


I'm a thief, I'm a liar
here's my church, I sing in the choir
(hallelujah, hallelujah)


Admire me, admire my home
Admire my son, admire my clothes
'Cause we know, appetite for a nightly feast
Those ignorant Indians got nothin' on me
Nothin', why?


Because... it's evolution, baby!


I am ahead, I am advanced
I am the first mammal to make plans, yeah
I crawled the earth, but now I'm higher
2010, watch it go to fire


It's evolution, baby


It's evolution, baby


Do the evolution
Come on, come on, come on





Tradução

Eu estou a frente

Eu sou o homem
Eu sou o primeiro mamífero a usar calças
Eu estou em paz com minha luxúria
Eu posso matar pois em Deus eu confio, yeah


É a evolução, baby


Eu sou uma besta
Eu sou o homem
Comprando ações no dia da quebra, yeah
No frouxo, eu sou um caminhão
Todas as colinas rolantes, eu irei aplanar todas elas, yeah
É comportamento de rebanho, uh huh


É a evolução baby


Me admire, admire meu lar
Admire meu filho, ele é meu clone
Yeah yeah, yeah yeah
Esta terra é minha, esta terra é livre
Eu faço o que eu quiser, irresponsavelmente


É a evolução, baby


Eu sou um ladrão
Eu sou um mentiroso
Esta é minha igreja, eu canto no coro


Aleluia, Aleluia


Me admire, admire meu lar
Admire minha música, aqui estão minhas roupas
Porque nós conhecemos
Apetite por banquete noturno
Esses índios ignorantes não tem nada comigo


Nada, por que?
Porque é a evolução, baby!


Eu estou a frente,
Eu sou avançado,
Eu sou o primeiro mamífero a fazer planos, yeah
Eu rastejei pela terra, mas agora eu estou alto
2010, assista isso ir para o fogo


É a evolução, baby!
É a evolução, baby!


Faça a evolução


Venha
Venha, venha.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Seria a mãe natureza chorando ?


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O clique foi feito na imensa geleira de Austfonna, localizada em Nordaustlandet, arquipélago de Svalbard, que sofre severamente os efeitos do aquecimento global. Curiosamente, o desgaste do gelo parece formar um rosto agonizando. Seria a Mãe Natureza sofrendo as sérias consequências do efeito estufa no nosso planeta?


A foto foi feita por Michael Nolan, professor e ativista contra o aquecimento global, durante uma viagem para verificar os danos às estruturas glaciais do Ártico.

De acordo com Jon Ove Hagen, um respeitado especialista glacial, a "imagem humana chorando" está encolhendo a cada ano. Austfonna é a maior geleira da Noruega, com 3.000 milhas quadradas.


Foto: World Glacier Monitoring Service

domingo, 13 de setembro de 2009

Os prédios verdes são mais lucrativos

O arquiteto americano especializado em prédios ecologicamente corretos diz que esses lugares ajudam a aumentar a produtividade e a reduzir gastos.



Por Ana Luiza Herzog



Revista Exame - 11/04/2007


O alemão Volker Hartkopf, titular do curso de arquitetura da Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos, defende a tese de que o lucro será maior nas empresas instaladas em escritórios sustentáveis e que levam em conta o bem-estar dos funcionários.


EXAME: Qual a diferença entre trabalhar num prédio ecologicamente correto e num edifício comum?


Volker Hartkopf: As empresas produtivas serão aquelas que levam em conta o bem-estar dos funcionários. Não há como ser eficiente num ambiente escuro e com um ar-condicionado que vive emperrado.


Quais são os ganhos de produtividade dos funcionários nos prédios "verdes"?


Ao aumentar a ventilação nas áreas onde as pessoas circulam, a produtividade pode crescer até 15%. Nas escolas, a iluminação natural tem capacidade de aumentar em cerca de 30% a capacidade de aprendizado dos alunos.


Existem também ganhos na redução de custos?


Os edifícios verdes podem gerar mais energia do que consomem. Isso representa uma enorme economia de dinheiro. Mas há um ponto mais importante. Nos Estados Unidos, os prédios convencionais consomem 70% da energia disponível no país. Nas grandes cidades da China, a necessidade adicional de energia para manter ligados os aparelhos de ar-condicionado exige que uma usina seja construída por semana. Isso não é sustentável.


Se a vantagem é tão óbvia, por que todas as empresas não migram para edifícios ecologicamente corretos?


Os projetos de edifícios verdes são mais caros. Aos poucos, porém, as companhias estão percebendo que o investimento compensa a médio e longo prazo, em termos de redução de custos e ganhos de produtividade dos funcionários.


O fenômeno do aquecimento global pode acelerar essa tendência?


Sim. Com a ameaça do aquecimento global, os prédios terão de passar por mudanças dramáticas. Para ter uma idéia, hoje são necessários diariamente cerca de 40 watts extras de energia elétrica per capita para o sistema de ar condicionado aplacar o calor que sente um executivo obrigado a vestir terno e gravata num clima quente.


Para ser um prédio ecologicamento correto, basta implantar políticas de reciclagem de lixo e sistemas como o de energia solar?


Não, esse é um universo muito mais complexo. Uma das características principais desses edifícios é sua flexibilidade de espaços internos. Os novos prédios são concebidos para facilitar o processo de reordenação dos departamentos, algo muito comum nas empresas. Participei recentemente do projeto de um edifício em Ohio, nos Estados Unidos, que foi concebido com essa preocupação. Hoje, ele chega a economizar quase 1 milhão de dólares por ano em mudanças internas. Outra característica importante dos novos edifícios é que eles permitem aos funcionários controlar a seu gosto variáveis como temperatura e luz.


Quais prédios estão mais sintonizados com esse modelo?


A unidade da IBM em Paris, na França, é exemplar. Com o uso de tecnologias simples, cada empregado pode controlar a quantidade de luz que deseja, a temperatura do ar e a altura das persianas, entre outras coisas. Resultado: os funcionários simplesmente amam trabalhar naquele prédio.

Green Buildings são uma alternativa necessária

Por Paula Scheidt, do CarbonoBrasil



Roberto Teitelroit não é um arquiteto comum. Insatisfeito com o rumo que dava à vida profissional e observando a necessidade de aliar a sustentabilidade ambiental às construções, o membro fundador do Green Building Council Brasil encontrou “a sua tribo” nos Estados Unidos, em 1999.

Depois de passar uma semana com pesquisadores do Instituto Rocky Mountain, entre eles os autores do livro que o inspirou a fazer a viagem - “Natural Capitalism”, de Hunter Lovins and Amory B. Lovins, Teitelroit voltou ao Brasil disposto a empregar o conceito de construções verdes nas edificações e espaços construídos aqui.

Termo surgido na década de 90, os Green Buildings são empreendimentos que utilizam alta tecnologia para reduzir os impactos negativos causados pela construção no meio-ambiente promovendo benefícios sociais, econômicos, ambientais e para a saúde humana, durante todo o processo de concepção, execução e operação.

Hoje, a idéia de construções sustentáveis contamina arquitetos de todo o mundo, principalmente entre os europeus. Nesta semana, mais de 500 expositores e outros 500 palestrantes participaram do Ecobuild 2008, o maior evento dedicado ao design, construção e ambiente construído sustentável realizado em Londres, no Reino Unido.

Durante o evento, foi apresentado o projeto vencedor da “The GreenHouse”, um edifício 'low carbon' (com baixas emissões de carbono) que promete se tornar um centro global para pesquisas e comunicação sobre os desafios ambientais chaves para o século 21 – como mudanças climáticas, perda de biodiversidade e desmatamento.

Orçado em 30 milhões de libras (US$ 100 milhões), o edifício tem como patronos o ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore e a vice-presidente da Irlanda, Mary Robinson, recebendo o apoio da Agência de Desenvolvimento de Londres e da Agência de Mudanças Climáticas de Londres. O projeto vencedor é da Feilden Clegg Bradley Studios.

“O projeto GreenHouse irá impulsionar a inovação e práticas entre os negócios, grupos de cidadãos e governos. Ele oferecerá espaços, idéias e evidências para fazer do planeta um lugar mais sustentável”, afirma Al Gore.

O edifício terá 70 mil metros quadrados, poderá acomodar 300 funcionários, terá um centro de convenções, sala de imprensa e de pesquisas junto a espaços públicos, incluindo livrarias e um restaurante orgânico e étnico. “Esta é uma grande oportunidade para produzir um exemplo de trabalho ambiental, trabalhando com um cliente que é igualmente comprometido para ver o quão longe podemos ir para criar design de escritórios sustentáveis”, disse Ian Taylor da Feilden Clegg Bradley Studios.

As construções estão previstas para serem iniciadas em março de 2009 e concluídas em novembro de 2010. O projeto continuará em exibição no centro de eventos Earls Court, em Londres até maio.



Brasil


No Brasil, apesar de estar longe de receber um projeto como este, os empreeendimentos podem recebem o status de Green Buidings. Para isso, precisam passar pelos critérios de avaliação da certificação internacional Leadership in Energy and Environmental Design (Liderança em Energia e Desenho Ambiental, em português), ou LEED. O selo norte-americano ainda está sendo adaptado para a realidade brasileira.

“A meta do Brasil é fazer esta certificação com profissionais daqui”, disse Teitelroit durante palestra no Congresso Mundial sobre Desenvolvimento das Cidades, realizado em fevereiro em Porto Alegre (RS).

Segundo Teitelroit, esse reconhecimento só é feito mediante a comprovação de que todo o ciclo de construção de uma obra tenha se dado de maneira sustentável. Ele admite que as construções certificadas têm um custo mais alto do que as convencionais, mas garante que o retorno do investimento vem na operacionalização, bem como através da economia de energia, de recursos naturais e garantia de mais qualidade de vida aos moradores.

Teitelroit explica que a construção deste tipo de edificações promove a redução de 30% do consumo de energia e 35% das emissões de gases do efeito estufa ao longo da vida útil. “A grande meta hoje é mexer na legislação para que o prédio pague menos imposto”, comenta.

Enquanto as mudanças na lei não ocorrem, a disseminação de informações é a melhor maneira de incentivar as construções ecologicamente responsáveis e sustentáveis no Brasil. O Green Building Council Brasil se prepara agora para traduzir e distribuir uma das Standard ASHRAE 90.1 de 2007, que poderá ser utilizado por profissionais que atuam com projetos e construções elétricas – que é a base da análise energética da certificação LEED na categoria Energia e Atmosfera.

A instituição fechou neste mês uma parceria com a American Society of Heating, Refrigerating and Air-Conditioning Engineers (ASHRAE) para promover este trabalho. “Nossa intenção é disseminar o conhecimento técnico de forma inclusiva, para que cada vez mais profissionais do setor, empresas e construtoras possam desenvolver uma nova cultura focada na eficiência e preservação de recursos naturais”, afirma Thassanee.

A ASHRAE é a base da Lei de Eficiência Energética 10.295/2001, que gerou o Programa para Etiquetagem de Edifícios (Procel Edifica), que entrará em vigor no Brasil em 2012.


Nos Estados Unidos, cerca de 6% do mercado imobiliário americano já cumpre as normas segundo a presidente do Green Building Council Brasil, Thassanee Wanick. “A indústria imobiliária é responsável por 5% da emissão mundial de gases causadores do efeito estufa. Com a construção de edifícios de baixo consumo, é possível reduzir impactos, gastos e aumentar os lucros”, afirma.

Edifícios verdes



São prédios que seguem determinados parâmetros e que têm uma preocupação toda especial com o meio ambiente em que estão inseridos e com a correta utilização dos recursos naturais necessários ao seu funcionamento e a correta destinação dos resíduos gerados por essa utilização. Assim, a preocupação com a eficiência e com a qualidade é sempre voltada para o mínimo impacto ambiental possível.



O que começou como “uma onda militante” por parte dos ecologistas de “primeira hora” acabou chegando à mesa dos grandes empresários que perceberam que podiam adotar as práticas preconizadas para os edifícios verdes e ainda sim obter lucro com aquela “coisa nova”. A economia gerada com a redução do consumo de água e de energia elétrica compensava de longe os gastos necessários para a conversão dos prédios já existentes ou da construção de novos prédios exclusivamente projetados para serem assim.


Assim, novas tecnologias e procedimentos foram criados para garantir que esses prédios fossem capazes de garantir uma excelente qualidade de vida para os funcionários dessas empresas e acabaram por facilitar a aplicação do conceito de prédios verdes para muito mais empresas e até em prédios residenciais.


Para que os prédios sejam considerados verdes, eles devem seguir preceitos e determinações rígidas quanto a construção, qualidade do ar; uso da energia; uso da água; segurança de trabalho e higiene do ambiente ocupacional; uso de materiais ecologicamente corretos; observação da ergonomia em móveis e utensílios; tratamento correto dos resíduos sólidos e controle da emissão de poluentes.


Quanto à qualidade do ar, os edifícios verdes devem manter o ar interno sempre com boa qualidade; efetuando análises no ar circulante e do interior dos dutos de ar condicionado; eliminando ou reduzindo a circulação de gases poluentes ou agentes contaminantes biológicos. Devem também ter preocupação com áreas para fumantes, uso de detergentes que tenham odores fortes e o conforto térmico.


Na eficiência energética, os prédios verdes devem buscar fortes alternativas de energia ou fontes emergenciais que garantam a iluminação em caso de acidentes; controle de consumo e busca da eficiência total.


A questão da água também é crucial nos prédios verdes. O desperdício deve ser combatido a todo custo, bem como a garantia da mais alta qualidade da consumida no prédio deve ser observada a cada instante. Um controle rígido sobre torneiras e válvulas de descarga deve ser exercido.


Aspectos da decoração interior devem ser levados com consideração como o uso de plantes e de materiais isolantes de ruídos. Além do uso de materiais certificados e eficientes. A preocupação com o uso de mobiliário ergonomicamente adequado e com a saúde dos trabalhadores que utilizarão os espaços; notadamente em relação a elementos que possam provocar alergias, assim como a redução ou eliminação da emissão de radiação ambiental.


Finalmente, os edifícios verdes devem ter programas de coleta seletiva de lixo e um gerenciamento de resíduos impecável. Com a manutenção de programas que visem educar e orientar os habitantes para essas boas práticas.


Os edifícios verdes há muito deixaram de ser uma ficção e cada vez mais se aproximam de uma realidade cotidiana das grandes cidades. Esperemos que, muito em breve, esses prédios sejam uma constante em todas as grandes cidades brasileiras.

Planeta negocia seu futuro com o clima

COP-15 deve incluir mecanismos alternativos para para manter a temperatura em níveis seguros.

O mundo descobriu que precisa fazer mais para conter as emissões de gases do efeito estufa e se prepara para tomar decisões que podem selar uma nova era na luta contra o aquecimento global. As atenções - e também as esperanças - se voltam para a COP 15, a conferência agendada para dezembro, em Copenhague, na Dinamarca, reunindo os países signatários da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças no Clima. Na visão do economista britânico Nicholas Stern, autor dos primeiros estudos sobre o custo global para controlar o clima no planeta, "o encontro será tão decisivo quanto a reunião de Bretton Woods, onde os aliados definiram a geopolítica do mundo após a II Guerra".

"Trata-se certamente do processo internacional mais importante do ano", afirma o negociador-chefe do Brasil, o embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado. A COP 15 poderá resultar em metas mais ambiciosas para a redução de carbono, em ações mais efetivas dos países em desenvolvimento, maior abertura para a conservação de florestas e regras para financiar todo esse esforço.

Com base em relatórios científicos, os países concordam - dentro do que se chama de "visão compartilhada" - que a elevação da temperatura em 2º C em relação à era pré-industrial é o limite máximo de segurança para o planeta. Acima desse nível, a situação pode sair do controle e tornar-se catastrófica, com graves impactos econômicos e sociais. Hoje o aumento é de 0,7º C, mas os gases já lançados na atmosfera têm o poder de elevar a temperatura para 1,6º C, mesmo se todas as emissões fossem cortadas. O foco da disputa está em evitar o aumento além de 0,4º C na temperatura média da Terra.

O Protocolo de Kyoto, assinado em 1997, estipulou metas obrigatórias para os países industrializados diminuírem as emissões em média 5,2% até 2012, em relação a 1990. No entanto, os últimos estudos científicos do IPCC (Intergovernamental Panel on Climate Change), divulgados em 2007, constataram que o acordo é insuficiente para conter o aquecimento global. Como resultado, os esforços se voltaram para a negociação de cortes mais ambiciosos dos países ricos e soluções para que também os países em desenvolvimento entrem no jogo após 2012.

A principal proposta em debate, apresentada por um bloco de 36 países em desenvolvimento sob a liderança do Brasil, é a redução dos gases-estufa nas nações desenvolvidas em 40% até 2020. O corte seria suficiente para manter a temperatura planetária em níveis seguros, contando com a participação dos Estados Unidos. A União Europeia acenou com 20% de diminuição de gases em relação a 1990 - exceto Reino Unido, que aceita 34%. Os americanos, que não assinaram o Protocolo de Kyoto, mas dão sinais de que se engajarão no esforço global, falam em apenas 8% de redução. "Isso não é compatível com a urgência do problema da mudança climática", adverte José Domingos Miguez, do Ministério da Ciência e Tecnologia, integrante do grupo brasileiro de negociação.

O impasse exige novas cartas na mesa. Mecanismos alternativos deverão ser criados em Copenhague para que os países em desenvolvimento assumam algum nível compromisso, sensibilizando os ricos para a adoção de metas maiores e para o repasse recursos financeiros à mitigação dos gases nas regiões emergentes. "Há consenso que o esforço global deve ser significativo, seja pelas metas de redução do bloco desenvolvido ou pelas ações voluntárias de mitigação dos países em desenvolvimento", revela Miguez.

"É preciso um esforço grande para que a reunião de Copenhague tenha sucesso, mas temos esperança de um acordo justo", afirma João Talocchi, coordenador da campanha de clima do Greenpeace no Brasil. O jogo é complexo: "O que temos hoje é comparável a jogar peças de cinco quebra-cabeças para o alto e tentar montar apenas um", ilustra o ambientalista, retratando o resultado da recente reunião preparatória para a COP-15, realizada em Bonn, na Alemanha. "É importante chegar a um documento-base com propostas em condições de serem negociadas em Copenhague", explica Talocchi.

O cenário esperado para Copenhague resulta de um processo que começou na década de 80 com os primeiros debates sobre a influência do homem no efeito estufa. O tema ganhou corpo com a Convenção da ONU sobre Mudanças do Clima, na Rio 92, culminando cinco anos depois no Protocolo de Kyoto. Quando a Rússia finalmente ratificou o acordo em 2005, somando um número de países que totalizou o mínimo de 55% das emissões globais, o Protocolo passou a vigorar em todo o mundo com metas para reduzir emissões até 2012.

O desafio é definir o que fazer a partir de 2013. As negociações seguem duas diferentes rotas. No chamado AWG (Ad Hoc Working Group for Kyoto Protocol), o objetivo principal é definir novas metas de emissão para a temperatura global não subir além dos 2º C. Os países desenvolvidos aceitam a metade do que reivindicam os emergentes até 2020. A diferença equivale a 4,3 Gigatons de carbono, ou seja, duas vezes as atuais emissões do Sudeste Asiático e quatro vezes a do Brasil. "A União Europeia aumentará a redução se os Estados Unidos entrarem no acordo com compromissos compatíveis", analisa Carlos Ritti, coordenador do Programa de Mudanças Climáticas do WWF-Brasil. A posição americana, segundo ele, poderá dar uma guinada na luta contra o aquecimento.

A segunda frente é a AWGLCA (Long-Term Cooperative Action under the Convention), na qual os países se dividem em blocos para o debate de temas polêmicos, como a mitigação dos gases-estufa. O debate inclui também a adaptação aos efeitos da mudança climática, a exemplo da elevação do nível do mar e mudanças na produção de alimentos. O financiamento e a transferência de tecnologia para os países mais pobres completam a lista.

Os grupos ambientalistas calculam que os países em desenvolvimento precisam de US$ 160 bilhões por ano para crescer economicamente sem aumentar o aquecimento global. O primeiro ministro inglês, Gordon Brown, já falou em US$ 100 bilhões e o tema será discutido na próxima reunião do G -20, em Pittsburg (EUA), em setembro. Uma das propostas em jogo é criar um novo organismo financeiro, uma espécie de agência mundial do clima, para gerir os recursos de maneira equitativa. Os recursos poderão ser levantados via leilão das reduções obtidas pelos países além da meta ou com a definição de um percentual do PIB.

Discute-se também o tempo de duração dos compromissos pós-2012. Há propostas para dez, oito e cinco anos. O período menor contribui no caso de haver necessidade de novas metas, após os resultados do próximo estudo do IPCC sobre clima, a ser divulgado entre 2014 e 2015, que vai avaliar o teor seguro de carbono na atmosfera nos próximos dez anos. O assunto está hoje em negociação com vistas a Copenhague. A atmosfera concentra atualmente 387 partes por milhão de carbono. As Ilhas Tuvalu propõem não ultrapassar 350 partes por milhão, pois o país sofre sério risco de submergir pelo avanço do oceano. Os cientistas do IPCC consideram 450 partes por milhão como limite aceitável, mas quanto maior a concentração de carbono, maior o nível de incertezas sobre o futuro.

"Para existir 70% de chance de não ultrapassar o limite da segurança na temperatura, é preciso cortar até meados do século 80% das emissões globais referentes a 1990, o que significa a quase completa descarbonização dos países desenvolvidos", afirma o climatologista Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). "Não dá para China, Índia e Brasil crescerem com os mesmos padrões dos Estados Unidos e Europa."

Há vários grupos e interesses em disputa: o G 77+China, que reúne países em desenvolvimento; a União Europeia, com suas 27 nações representadas pela Suécia; a Alliance of Small Island States, envolvendo os países-ilha; e o Africa Group, além de outros blocos que agrupam os países mais pobres e o Environmental Integrity Group, com México, Coréia do Sul e Noruega.

O princípio das "responsabilidades comuns, porém diferenciadas", adotado pela Convenção do Clima, ganhará novas luzes. O conceito significa que todos os países têm de fazer alguma coisa contra o aquecimento global - mas nem todos devem fazer o mesmo, pois sujam o planeta em intensidades e formas diferentes. A tendência é a responsabilidade histórica dos países que desenvolveram suas economias ao custo da poluição permanecer como critério para depois de 2012. Mas, sob pressão das nações industrializadas, deve surgir um novo mecanismo que permitirá o bloco em desenvolvimento também assumir compromissos, mesmo voluntários. A novidade é o Namas (sigla em inglês para Ações Nacionalmente Apropriadas de Mitigação), que funciona como um registro internacional no qual ficam listadas as ações dos países como um compromisso externo, passível de auditoria. Também fica registrado o suporte financeiro necessário para colocar as medidas em prática.

Fonte: Valor Econômico