terça-feira, 15 de setembro de 2009

Seria a mãe natureza chorando ?


   Clique na imagem pra ampliar

O clique foi feito na imensa geleira de Austfonna, localizada em Nordaustlandet, arquipélago de Svalbard, que sofre severamente os efeitos do aquecimento global. Curiosamente, o desgaste do gelo parece formar um rosto agonizando. Seria a Mãe Natureza sofrendo as sérias consequências do efeito estufa no nosso planeta?


A foto foi feita por Michael Nolan, professor e ativista contra o aquecimento global, durante uma viagem para verificar os danos às estruturas glaciais do Ártico.

De acordo com Jon Ove Hagen, um respeitado especialista glacial, a "imagem humana chorando" está encolhendo a cada ano. Austfonna é a maior geleira da Noruega, com 3.000 milhas quadradas.


Foto: World Glacier Monitoring Service

domingo, 13 de setembro de 2009

Os prédios verdes são mais lucrativos

O arquiteto americano especializado em prédios ecologicamente corretos diz que esses lugares ajudam a aumentar a produtividade e a reduzir gastos.



Por Ana Luiza Herzog



Revista Exame - 11/04/2007


O alemão Volker Hartkopf, titular do curso de arquitetura da Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos, defende a tese de que o lucro será maior nas empresas instaladas em escritórios sustentáveis e que levam em conta o bem-estar dos funcionários.


EXAME: Qual a diferença entre trabalhar num prédio ecologicamente correto e num edifício comum?


Volker Hartkopf: As empresas produtivas serão aquelas que levam em conta o bem-estar dos funcionários. Não há como ser eficiente num ambiente escuro e com um ar-condicionado que vive emperrado.


Quais são os ganhos de produtividade dos funcionários nos prédios "verdes"?


Ao aumentar a ventilação nas áreas onde as pessoas circulam, a produtividade pode crescer até 15%. Nas escolas, a iluminação natural tem capacidade de aumentar em cerca de 30% a capacidade de aprendizado dos alunos.


Existem também ganhos na redução de custos?


Os edifícios verdes podem gerar mais energia do que consomem. Isso representa uma enorme economia de dinheiro. Mas há um ponto mais importante. Nos Estados Unidos, os prédios convencionais consomem 70% da energia disponível no país. Nas grandes cidades da China, a necessidade adicional de energia para manter ligados os aparelhos de ar-condicionado exige que uma usina seja construída por semana. Isso não é sustentável.


Se a vantagem é tão óbvia, por que todas as empresas não migram para edifícios ecologicamente corretos?


Os projetos de edifícios verdes são mais caros. Aos poucos, porém, as companhias estão percebendo que o investimento compensa a médio e longo prazo, em termos de redução de custos e ganhos de produtividade dos funcionários.


O fenômeno do aquecimento global pode acelerar essa tendência?


Sim. Com a ameaça do aquecimento global, os prédios terão de passar por mudanças dramáticas. Para ter uma idéia, hoje são necessários diariamente cerca de 40 watts extras de energia elétrica per capita para o sistema de ar condicionado aplacar o calor que sente um executivo obrigado a vestir terno e gravata num clima quente.


Para ser um prédio ecologicamento correto, basta implantar políticas de reciclagem de lixo e sistemas como o de energia solar?


Não, esse é um universo muito mais complexo. Uma das características principais desses edifícios é sua flexibilidade de espaços internos. Os novos prédios são concebidos para facilitar o processo de reordenação dos departamentos, algo muito comum nas empresas. Participei recentemente do projeto de um edifício em Ohio, nos Estados Unidos, que foi concebido com essa preocupação. Hoje, ele chega a economizar quase 1 milhão de dólares por ano em mudanças internas. Outra característica importante dos novos edifícios é que eles permitem aos funcionários controlar a seu gosto variáveis como temperatura e luz.


Quais prédios estão mais sintonizados com esse modelo?


A unidade da IBM em Paris, na França, é exemplar. Com o uso de tecnologias simples, cada empregado pode controlar a quantidade de luz que deseja, a temperatura do ar e a altura das persianas, entre outras coisas. Resultado: os funcionários simplesmente amam trabalhar naquele prédio.

Green Buildings são uma alternativa necessária

Por Paula Scheidt, do CarbonoBrasil



Roberto Teitelroit não é um arquiteto comum. Insatisfeito com o rumo que dava à vida profissional e observando a necessidade de aliar a sustentabilidade ambiental às construções, o membro fundador do Green Building Council Brasil encontrou “a sua tribo” nos Estados Unidos, em 1999.

Depois de passar uma semana com pesquisadores do Instituto Rocky Mountain, entre eles os autores do livro que o inspirou a fazer a viagem - “Natural Capitalism”, de Hunter Lovins and Amory B. Lovins, Teitelroit voltou ao Brasil disposto a empregar o conceito de construções verdes nas edificações e espaços construídos aqui.

Termo surgido na década de 90, os Green Buildings são empreendimentos que utilizam alta tecnologia para reduzir os impactos negativos causados pela construção no meio-ambiente promovendo benefícios sociais, econômicos, ambientais e para a saúde humana, durante todo o processo de concepção, execução e operação.

Hoje, a idéia de construções sustentáveis contamina arquitetos de todo o mundo, principalmente entre os europeus. Nesta semana, mais de 500 expositores e outros 500 palestrantes participaram do Ecobuild 2008, o maior evento dedicado ao design, construção e ambiente construído sustentável realizado em Londres, no Reino Unido.

Durante o evento, foi apresentado o projeto vencedor da “The GreenHouse”, um edifício 'low carbon' (com baixas emissões de carbono) que promete se tornar um centro global para pesquisas e comunicação sobre os desafios ambientais chaves para o século 21 – como mudanças climáticas, perda de biodiversidade e desmatamento.

Orçado em 30 milhões de libras (US$ 100 milhões), o edifício tem como patronos o ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore e a vice-presidente da Irlanda, Mary Robinson, recebendo o apoio da Agência de Desenvolvimento de Londres e da Agência de Mudanças Climáticas de Londres. O projeto vencedor é da Feilden Clegg Bradley Studios.

“O projeto GreenHouse irá impulsionar a inovação e práticas entre os negócios, grupos de cidadãos e governos. Ele oferecerá espaços, idéias e evidências para fazer do planeta um lugar mais sustentável”, afirma Al Gore.

O edifício terá 70 mil metros quadrados, poderá acomodar 300 funcionários, terá um centro de convenções, sala de imprensa e de pesquisas junto a espaços públicos, incluindo livrarias e um restaurante orgânico e étnico. “Esta é uma grande oportunidade para produzir um exemplo de trabalho ambiental, trabalhando com um cliente que é igualmente comprometido para ver o quão longe podemos ir para criar design de escritórios sustentáveis”, disse Ian Taylor da Feilden Clegg Bradley Studios.

As construções estão previstas para serem iniciadas em março de 2009 e concluídas em novembro de 2010. O projeto continuará em exibição no centro de eventos Earls Court, em Londres até maio.



Brasil


No Brasil, apesar de estar longe de receber um projeto como este, os empreeendimentos podem recebem o status de Green Buidings. Para isso, precisam passar pelos critérios de avaliação da certificação internacional Leadership in Energy and Environmental Design (Liderança em Energia e Desenho Ambiental, em português), ou LEED. O selo norte-americano ainda está sendo adaptado para a realidade brasileira.

“A meta do Brasil é fazer esta certificação com profissionais daqui”, disse Teitelroit durante palestra no Congresso Mundial sobre Desenvolvimento das Cidades, realizado em fevereiro em Porto Alegre (RS).

Segundo Teitelroit, esse reconhecimento só é feito mediante a comprovação de que todo o ciclo de construção de uma obra tenha se dado de maneira sustentável. Ele admite que as construções certificadas têm um custo mais alto do que as convencionais, mas garante que o retorno do investimento vem na operacionalização, bem como através da economia de energia, de recursos naturais e garantia de mais qualidade de vida aos moradores.

Teitelroit explica que a construção deste tipo de edificações promove a redução de 30% do consumo de energia e 35% das emissões de gases do efeito estufa ao longo da vida útil. “A grande meta hoje é mexer na legislação para que o prédio pague menos imposto”, comenta.

Enquanto as mudanças na lei não ocorrem, a disseminação de informações é a melhor maneira de incentivar as construções ecologicamente responsáveis e sustentáveis no Brasil. O Green Building Council Brasil se prepara agora para traduzir e distribuir uma das Standard ASHRAE 90.1 de 2007, que poderá ser utilizado por profissionais que atuam com projetos e construções elétricas – que é a base da análise energética da certificação LEED na categoria Energia e Atmosfera.

A instituição fechou neste mês uma parceria com a American Society of Heating, Refrigerating and Air-Conditioning Engineers (ASHRAE) para promover este trabalho. “Nossa intenção é disseminar o conhecimento técnico de forma inclusiva, para que cada vez mais profissionais do setor, empresas e construtoras possam desenvolver uma nova cultura focada na eficiência e preservação de recursos naturais”, afirma Thassanee.

A ASHRAE é a base da Lei de Eficiência Energética 10.295/2001, que gerou o Programa para Etiquetagem de Edifícios (Procel Edifica), que entrará em vigor no Brasil em 2012.


Nos Estados Unidos, cerca de 6% do mercado imobiliário americano já cumpre as normas segundo a presidente do Green Building Council Brasil, Thassanee Wanick. “A indústria imobiliária é responsável por 5% da emissão mundial de gases causadores do efeito estufa. Com a construção de edifícios de baixo consumo, é possível reduzir impactos, gastos e aumentar os lucros”, afirma.

Edifícios verdes



São prédios que seguem determinados parâmetros e que têm uma preocupação toda especial com o meio ambiente em que estão inseridos e com a correta utilização dos recursos naturais necessários ao seu funcionamento e a correta destinação dos resíduos gerados por essa utilização. Assim, a preocupação com a eficiência e com a qualidade é sempre voltada para o mínimo impacto ambiental possível.



O que começou como “uma onda militante” por parte dos ecologistas de “primeira hora” acabou chegando à mesa dos grandes empresários que perceberam que podiam adotar as práticas preconizadas para os edifícios verdes e ainda sim obter lucro com aquela “coisa nova”. A economia gerada com a redução do consumo de água e de energia elétrica compensava de longe os gastos necessários para a conversão dos prédios já existentes ou da construção de novos prédios exclusivamente projetados para serem assim.


Assim, novas tecnologias e procedimentos foram criados para garantir que esses prédios fossem capazes de garantir uma excelente qualidade de vida para os funcionários dessas empresas e acabaram por facilitar a aplicação do conceito de prédios verdes para muito mais empresas e até em prédios residenciais.


Para que os prédios sejam considerados verdes, eles devem seguir preceitos e determinações rígidas quanto a construção, qualidade do ar; uso da energia; uso da água; segurança de trabalho e higiene do ambiente ocupacional; uso de materiais ecologicamente corretos; observação da ergonomia em móveis e utensílios; tratamento correto dos resíduos sólidos e controle da emissão de poluentes.


Quanto à qualidade do ar, os edifícios verdes devem manter o ar interno sempre com boa qualidade; efetuando análises no ar circulante e do interior dos dutos de ar condicionado; eliminando ou reduzindo a circulação de gases poluentes ou agentes contaminantes biológicos. Devem também ter preocupação com áreas para fumantes, uso de detergentes que tenham odores fortes e o conforto térmico.


Na eficiência energética, os prédios verdes devem buscar fortes alternativas de energia ou fontes emergenciais que garantam a iluminação em caso de acidentes; controle de consumo e busca da eficiência total.


A questão da água também é crucial nos prédios verdes. O desperdício deve ser combatido a todo custo, bem como a garantia da mais alta qualidade da consumida no prédio deve ser observada a cada instante. Um controle rígido sobre torneiras e válvulas de descarga deve ser exercido.


Aspectos da decoração interior devem ser levados com consideração como o uso de plantes e de materiais isolantes de ruídos. Além do uso de materiais certificados e eficientes. A preocupação com o uso de mobiliário ergonomicamente adequado e com a saúde dos trabalhadores que utilizarão os espaços; notadamente em relação a elementos que possam provocar alergias, assim como a redução ou eliminação da emissão de radiação ambiental.


Finalmente, os edifícios verdes devem ter programas de coleta seletiva de lixo e um gerenciamento de resíduos impecável. Com a manutenção de programas que visem educar e orientar os habitantes para essas boas práticas.


Os edifícios verdes há muito deixaram de ser uma ficção e cada vez mais se aproximam de uma realidade cotidiana das grandes cidades. Esperemos que, muito em breve, esses prédios sejam uma constante em todas as grandes cidades brasileiras.